10/04/2009

DIAGNÓSTICO de GESTAÇÃO na CADELA

A ausência do estro não é um guia para a prenhez na cadela, visto que nessas espécies todos os períodos de estro são seguidos por alterações de pseudoprenhez na ausência da gestação. É geralmente aceito que o período do estro verdadeiro termina mais rapidamente uma vez que ocorreu a concepção. A deposição de gordura abdominal c subcutânea é geralmente acentuada durante a gestação. É uma reserva de gordura para a subseqüente lactação visto que em geral há perda novamente durante o período de amamentação. O útero prenhe e seu conteúdo não causam sensível alimento no peso do corpo durante as primeiras cinco semanas. Desse ponto ele aumenta rapidamente de acordo com o número de fetos. O aumento vai variar de 1 kg em uma cadela de 5 a 7 kg ou mais em uma de 27 kg, durante esse tempo, o peso do corpo tornou-se um guia de que há outros sinais bem definidos de prenhez.
Na prenhez múltipla, a distensão abdominal torna-se progressiva e evidente da quita semana em diante, mas no animal prenhe com um ou dois fetos apenas, e particularmente quando a cadela é grande ou bem gorda, a distensão não pode ser observada.
Há várias causas para a distensão abdominal na cadela que devem ser diferenciadas da prenhez. A mais importante é piometra que ocorre durante o período da pseudoprenhez; as outras são: ascite, peritonite com efusão, esplenomegalia, neoplasia do fígado, dos gânglios linfáticos abdominais ou do útero.
As glândulas mamárias
Ocorrem alterações características nas glândulas mamarias. Infelizmente, podem ocorrer alterações semelhantes, mas menos definidas durante a pseudoprenhez. Essas alterações são mais facilmente reconhecidas na primípara. Aproximadamente no 35° dia as tetas tornam-se rosa-claro na pele não pigmentada, dilatadas e túrgidas - elas protraem. Essa condição persiste aproximadamente o 45° dia, quando as tetas tornam-se ainda maiores, mas macias e tumefatas. Podem-se tornar pigmentadas. Uma apreciável hipertrofia das glândulas começa no 50° dia. As glândulas mamárias progridem até o parto, abrangendo duas áreas paralelas, dilatadas e edematosas com uma depressão entre ambas se estendendo da borda pélvica até a parte posterior do tórax. Uma secreção aquosa geralmente pode ser espremida das tetas dois a três dias antes do parto. O início da secreção do leite coincide com o parto. Na multípara, a hipertrofia mamária começa aproximadamente sete dias antes do parto e em alguns casos o leite pode ser espremido das tetas vários dias antes do parto.
Palpação abdominal
Esse é o método mais correto para o diagnóstico em cadela. A facilidade ou dificuldade vai depender dos seguintes fatores:
· O tamanho do animal - o menor é mais fácil;
· Seu temperamento - se permite apalpação;
· O período da gestação em que o exame é feito;
· O número de fetos no útero;
· Se a cadela está com um tamanho normal ou se está excessivamente gorda.
No 18° a 21° dias, o embrião representa lima série de tensões, distensão oval nos cornos de aproximadamente 12 mm de comprimento por 9 mm de largura. Em cadelas pequenas que podem facilmente ser manipuladas, pode ser possível afirmar-se aproximadamente o número presente. Os situados nas partes posteriores dos cornos são mais facilmente palpados e se apenas um ou dois estão presentes, situados anteriormente, podem passar despercebidos. Em cadelas grandes ou obesas, é improvável de se detectar os embriões nesse estágio. Deve-se tomar cuidado para não confundir as fezes no cólon com os fetos.
Do 24° a 30° dias, é um período ótimo para o diagnóstico precoce da prenhez. Perto do 24° dia, essas distensões têm um contorno esférico de 6 a 30 mm de diâmetro. Permanecem tensas e são facilmente reconhecidas. Algumas vezes, há variações no tamanho, as posteriores tornando-se menores do que as anteriores. As unidades embrionárias mantêm essa forma esférica até aproximadamente o 33° dia.
No 35° a 44° dias, os segmentos contraídos dos cornos entre as unidades embrionárias dilatam progressivamente, as dilatações tornam-se alongadas e muito da sua tensão é perdida. Nesse período, o útero mantém contato com a parede abdominal e no animal prenhe com fetos múltiplos a distensão abdominal começa a se tornar visível. Entretanto, a palpação dos fetos ainda não é possível e como o próprio útero perdeu muito de sua tensão, pode ser difícil o diagnóstico positivo, particularmente nas gestantes com apenas um ou dois fetos.
No 45° a 55° dias, é rápido o crescimento do tamanho do feto. No 45° dia pode ser possível detectar os situados posteriormente entre os dedos - em uma cadela de 9 kg têm aproximadamente 63 mm de comprimento e 12 mm de largura. É durante esse período que a disposição do útero na cavidade abdominal se altera. Em animais prenhes com fetos múltiplos, cada corno representa um cilindro alongado de 38 a 51 mm de diâmetro e 228 a 300 mm de comprimento. Posteriormente, eles se estendem para o corpo uterino, que durante esse tempo se dilatou. Cada corno está em dois segmentos, o posterior, que se encontra no solo abdominal e passa à frente das margens do fígado, e o anterior, que se encontra dorsalmente e lateralmente a esse, com seus longos eixos dirigidos posteriormente em direção à pélvis. No último estágio, o útero preenche inteiramente o abdome.
No 55° a 63° dias, não deve haver dificuldade em diagnosticar a gestação se a cadela admite a manipulação do abdome. O tamanho dos fetos é tal que eles podem ser prontamente detectados. Uma protuberância no flanco de um feto que ocupa o ápice do corno vai ser sentida, enquanto na linha média logo à frente da borda pélvica há uma outra com sua extremidade no corpo uterino. Se a manipulação é impraticável, o toque retal é de grande valia. A parte dianteira da cadela deve ser erguida e o útero pressionado para trás em direção à abertura pélvica por pressão no abdome. A parte posterior do feto vai ser detectada abaixo do dedo. Em cadelas prenhes grandes ou gordas com apenas um ou dois fetos, ainda pode existir dúvida, embora durante esse tempo as glândulas mamárias forneçam uma evidência confirmatória de valor. Os testes biológicos não são aplicáveis na cadela e na gata.
Radiografia
A radiografia pode ser importante como um diagnóstico adicional nos estágios finais. Os resultados, entretanto, são extremamente variáveis e é necessária uma considerável experiência técnica antes que os fetos possam ser demonstrados com segurança até o parto. São mais facilmente observados em cadelas pequenas do que em grandes. Nas pacientes grandes e obesas, deve sempre ser usado um diafragma ou uma placa de acumulador. Embora a calcificação óssea ocorra principalmente durante a última semana de gestação, é geralmente possível demonstrar a espinha fetal dentro da última quinzena de gestação. O valor da radiografia na obstetrícia canina encontra-se na demonstração no final da gestação ou após um feto único, quando a palpação falha, e secundariamente à demonstração da apresentação em distocia obstrutiva.
Pela introdução de 200 a 800 ml de ar dentro da cavidade abdominal dos cães, as dilatações uterinas da prenhez podem ser delineadas radiograficamente logo após os 30 a 35 dias. A partir do 44° dia, o instrumento ultra-sônico pode ser seguramente aplicado.
Referência: GEOFFREY, H. Arthur. Reprodução e obstetrícia veterinária. Rio de Janeiro/RJ: Guanabara Koogan, 1979.

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